O Grupo Câmbio Negro surgiu em 1990, na Ceilândia, mas suas raízes vêm de muito antes, porque a sua criação tem a ver com a própria história de seus integrantes, de uma infância sofrida e difícil, marcada pelas dificuldades da pobreza, da vida em favela; os conflitos da adolescência e da passagem desta para a vida adulta precoce; mas tem a ver, também, com os sonhos, projetos, com o desejo de melhorar, de encontrar um espaço mais justo na sociedade e esse caminho se abre com a chegada do Hip Hop ao Brasil. A influência da Black Music, do Funk, do Electro resultou em num natural envolvimento com o Break e a dança, ainda na década de 80 e, nesse caldeirão de sons e gêneros musicais, vieram os primeiros contatos com o Rap.
Os temas abordados desde a criação do Câmbio Negro até os dias atuais sempre estiveram relacionados ao racismo, à discriminação, às desigualdades sociais, à violência policial, ao encarceramento em massa dos menos favorecidos; e à necessidade de politização e conscientização da população. Além disto, as composições, construídas com esse propósito, tinham um som pesado, com referências de bandas como Boo-Yaa T.R.I.B.E., N.W.A. e Public Enemy, que são seus contemporâneos. Em sua primeira formação, o grupo contava com X e DJ Jamaika nos vocais, além de DJ Chocolaty nos toca-discos
Em 1993, o grupo lançou, pela gravadora independente Discovery, o disco “Sub-raça”, que é considerado um dos mais importantes do Rap Nacional. A música que dá nome ao álbum é, desde então e até hoje, um forte símbolo de resistência na luta contra o racismo. Quando lançado, fez tanto sucesso que, só nos primeiros 15 dias, mesmo antes da capa pronta, vendeu mais de duas mil cópias.
Em 1994, o Câmbio Negro inova e se transforma em banda, fato que até aquele momento que não ocorria no cenário do Rap brasileiro. Deixava assim de ter apenas as vozes e carrapetas e passava a contar também com guitarra, baixo e bateria e nova formação. Foi alvo de críticas, mas esse foi o caminho escolhido e assim, em 1995, também pela Discovery, a banda lança o álbum “Diário de um Feto”.
No final dos anos 2000, X decidiu encerrar as atividades da banda. Lançou dois discos solo e decidiu dedicar-se a outros segmentos dentro do Hip-Hop, como palestras, oficinas, workshops. Em 2015, os integrantes da banda decidem por fazer uma reunião para gravação de um CD e DVD ao vivo. Durante os anos de pausa na banda, o envolvimento de X com o Hip-Hop, que considera sua vida, sua paixão, nunca arrefeceu e, por esse motivo, três anos depois, em 2018, o vocalista X anuncia, através de uma entrevista, o retorno do Câmbio Negro.
Com a formação atual, X, no vocal; Beetles – DJ; Denizar Marques, na bateria; Moisés Pacífico, no baixo; e Ralph Sardela, na guitarra; o Câmbio Negro vem firme e forte, desde então, com os mesmos ideais que dão propósito verdadeiro ao Rap e ao Movimento Hip-Hop e a mesma pegada pesada. Voltaram para fazer a diferença, para questionar, para lutar pelos direitos que sempre pautaram a sua criação, porque essas batalhas continuam mais necessárias que nunca.
O show da volta, em 2018, aconteceu no evento de “Comemoração dos 58 Anos do Aniversário de Brasília”, na Esplanada dos Ministérios, para milhares de pessoas. No final do mesmo ano, se apresentaram no Festival “Elemento em Movimento”, em Ceilândia, em um dos shows mais marcantes e emocionantes da banda.
De lá para cá, apesar de todas as dificuldades na cena cultural, foram shows em Brasília, Ceilândia, São Paulo e uma grande apresentação no Edição Comemoração Comemorativa de 25 anos do Porão do Rock, em Brasília, para milhares de pessoas. Lançamento de novas músicas, premiações e homenagens.
Em 2022, a música “Fogo no Canavial” foi premiada no Prêmio Profissionais da Música - PPM, nas categorias de Melhor Artista de Hip-Hop do Centro-Oeste, além da categoria de Melhor Letra e Música.
Entre as novidades, o lançamento ainda de “Ninguém Toma”, “Se prepare pra morrer” e “Desejo de Matar”.
Seguimos, com vontade de fazer o que o Câmbio Negro faz de melhor: Rap de qualidade.
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